sábado, 19 de maio de 2012

Quando parar é preciso

O mês de maio é um mês de muitas expectativas para todos daqui, isto porque dia 1 de junho é o Dia da Criança Moçambicana. Passamos então o mês de maio todo planejando a festa, os pais fazendo roupas novas para crianças (todas com a mesma estampa) e as crianças sonhando com os brinquedos e rebuçados (balas). É uma data muito especial. João já disse que no 1 de junho vai dar uma festa do pijama. Vamos ver se vamos ter forças para isso depois de um dia festejando com as crianças do PEPE : )
Para nós esse mês de maio tem sido também um tempo especial. Por causa de alguns motivos, dentre eles a variação cambial entre real e metical, resolvemos parar a obra do CECORE por tempo indeterminado. Estamos terminando esse mês três salas e um puarô (uma construção redonda para reuniões e outras atividades).
A partir de junho então, vamos estar menos voltados para a construção e mais voltados para os trabalhos já estabelecidos como o PEPE, turmas  corrida e discipulado. Parar não é fácil, mas muitas vezes se torna necessário. Estamos felizes e em paz com essas mudanças.
Enquanto isso... os corredores multiplicaram! De 12 corredores passamos para 54, divididos em 3 turmas. E agora são os grandes que treinam os pequenos. Orgulho do treinador Cesinha. E eles correm de dar gosto, deixam os mucunhas (brancos) todos para trás.
Assim que tivermos condições iremos retornar para a construção dos alojamentos, parquinho, reservatório de água, cozinha , refeitório, bem como outras salas para que possamos atender muitas crianças.
Agora as fotos:

Na primeira o puarô, na segunda as salas e embaixo um pedaço da nossa equipa (é equipa mesmo que fala)





terça-feira, 17 de abril de 2012

Parem a China!

Uma das coisas que trouxe em minha mala quando vim do Brasil foi uma pá de lixo. Sim, isso mesmo. Em dois anos que estamos aqui já devo ter comprado 7 pás de lixo e todas quebraram. Uma coisa essas pás tinham em comum: todas eram chinesas.
Sei que a China produz muitas coisas boas, alías, hoje em dia parece que o mundo é feito na China. Praticamente tudo vem de lá. 
Aqui em Moçambique e acredito que na África em geral os chineses tem presença muito forte. Aquelas que chamamos de lojas de 1,99 estão em toda parte, bem como as lojas de eletro eletrônicos e sapatos chineses. O problema é que os produtos que vem para cá são em sua maioria de péssima qualidade. Ou seja, existe no lixo de Nampula 7 pás quebradas que eu comprei! Uma média de 3,5 pás por ano por família. Para saber o tamanho da tragédia basta multiplicar. Isso só de pás, mas temos também as vassouras, os pratos, os copos e várias outras coisas que em prazos mínimos se tornam inúteis. O lixo já não é uma questão fácil de resolver, com esse tanto de coisas quebradas fica mais difícil ainda.
Como assim, a China quer transformar a África no lixo do mundo? Por favor, parem de mandar lixo pra cá! Queremos produtos chineses sim, mas de qualidade.

 João decepcionado com as pás chinesas

Sosô feliz da vida com sua pazinha brasileira apesar dessa ser a 20ª vassoura chinesa

terça-feira, 10 de abril de 2012

O prazer de não ter

Morar em diferentes lugares e diferentes culturas nos ajuda a ver o mundo de outras perspectivas, certo? Pois eu me peguei feliz em não conseguir comprar certos itens e fui pensar um pouco a respeito. Sabe o que concluí? O prazer de comer uma manga só no final do ano é maior do que comer no ano inteiro. Sim! A gente fica sem manga a maior parte do ano, mas quando chega a época da manga, que felicidade! É suco de manga, sobremesa de manga, chup chup de manga. Depois a gente não tem mais abacaxi, depois não tem abacate e assim vai. Mas cada vez que chega a hora é uma festa. E ficar sem energia, é bom? Não, não é, ainda mais nas casas que a água é bombeada eletricamente como a nossa. Mas na hora que a energia volta... o grito de alegria é geral. Pode parecer coisa de doido, mas funciona assim.
Lembro então de reportagens que já li sobre o alto índice de suicídio em países ricos, ou outra que dizia que o nível de felicidade das pessoas não aumenta depois de um certo nível de conforto. Quando a gente tem tudo o que quer parece que a vida perde a graça. Então vamos parar de correr atrás de coisas e investir naquilo que realmente vale a pena: PESSOAS.
Críticas e palpites são bem vindos!
Para aqueles que acompanham nosso blog, Sosô orgulhosamente apresenta: a praça da rotunda inaugurada! A inauguração foi no final do ano, mas eu estava devendo a foto. Essa estátua é de Samora Machel, herói nacional. Agora quero é convidar meu marido pra sentar num banco desses e tomar um sorvete : )

quinta-feira, 22 de março de 2012

Amo muito tudo isso (revista e atualizada)

Aproveitando que estou dodói e portanto encostada, resolvi fazer uma lista das coisas que mais amo aqui em Moçambique (fora as pessoas, é claro).

Aí vai!

- Matapa de castanha da Chimita
- Mulheres dirigindo moto vestidas com capulana e lenço
- As machambas
- Crianças brincando peladas na chuva
- O hino nacional
- O sotaque dos moçambicanos
- Os homens usarem sapato rosa, blusa rosa e não ligarem
- As praias desertas
- Os vários modelos de trançar o cabelo
- Algumas pessoas falarem inglês com a gente
- Poder conviver com diversas culturas (indianos, chineses, etc)
- As esteiras e peneiras
- Dançar e cantar com o povo (amo)
- A Ilha de Moçambique
- Os batuques e como se batuca tudo
- As mulheres pintadas com mussiro (foto)
- As tatuagens das mulheres macondes
- Os diversos tipos de lagartixa
- O pão sem bromato
- Como as pessoas conseguem levar quase tudo na cabeça
- As 1001 utilidades da capulana
- A cidade cheia de mangueiras carregadas no final do ano
- As famílias de cabritos no meio da rua
- A língua macua (macua é uma língua que tem seus dialetos – consultoria antropológica de Leonorzinha)
- Aqui você sempre é família: ou é mamá ou é tia ou é mana
- As montanhas de pedra de Nampula
- Uma verdurinha chamada enyewuê
- Viver as épocas da terra: época de amendoim, época de abacaxi e comer as respectivas receitas
- O uniforme com gravatinha da secundária
- Arroz de machamba com matapa de couve da Marta e camarão (Moçambique exporta camarão)

Acho que já tá bom né? Era só pra vocês "sentirem" um pouco dessa terra especial.


segunda-feira, 12 de março de 2012

Sobre a morte e a vida

Morre-se muito por aqui. Diariamente convivemos com pessoas que recentemente perderam parentes e amigos. Hoje recebi a notícia que uma adolescente, irmã do professor do João, morreu na sexta. O cunhado do Henriques, que nos ajuda, morreu hoje. O Ali que encontrei no sábado perdeu há algum tempo uma filha de 4 anos. A pastora que encontrei no banco perdeu um filho de 1 ano e uma neta há dois anos atrás. 
Quando Cesinha chegou do Brasil os trabalhadores do CECORE perguntaram como estava sua família. Ao dizer a idade do meu sogro todos ficaram espantados. “Não é possível alguém viver até 84 anos!”.
A região norte de Moçambique, aonde moramos, é a mais empobrecida do país. Aqui é onde as mazelas doem mais. Malária, cólera, HIV, são rotina. Com exceção do HIV, muitas doenças poderiam ser evitadas com melhoria no saneamento básico. Isso salvaria muitas vidas. Mas o dinheiro não chega, a vontade não ajuda, o pecado embarreira. Enquanto isso, logo ali: botox, vitaminas, dietas contra radicais livres. 
Fico pensando num filme que vi recentemente “In time” em português "O preço do amanhã" aonde poucos tinham muitas horas de vida e muitos apenas um dia. Soa familiar?


quinta-feira, 8 de março de 2012

Como é bom estar de volta!

Oi amigos do bloguiiee!!!

É muito bom estar de volta a Moçambique. Nossa escolinha multiplicou e agora são 43 pepitos! Temos também uma nova professora e um novo ajudante, Esperança e José e funcionamos de manhã e à tarde. Muitos pais nos procuraram para fazermos mais inscrições, mas decidimos manter o número de alunos para atendermos todos bem. Quem sabe quando construirmos as salas do CECORE possamos abrir mais turminhas...
Os trabalhadores já estão fazendo os blocos para a construção das salas, mas precisamos esperar até o final de março para construir, quando haverá a colheita de massaroca (milho verde), pois todo nosso terreno está plantado. Como já disse aqui no blog, os moçambicanos aproveitam todo pedaço de terra para cultivar, o que é muito bom.
Nessa semana começamos a alfabetização de adultos com 5 trabalhadores e 2 mães. A maior parte deles já sabe escrever o nome e ao final de março deveremos ter passado por todas as vogais.
Eliz e Ciney começaram a desenvolver um trabalho na área de higiene com os alunos do PEPE CECORE, com acompanhamento semanal e em breve iniciarão o discipulado por grupos em nossa igreja.

Resumindo, muito trabalho! Das duas famílias só a Eliz e o Cesinha não adoeceram nas últimas semanas. O clima tem variado muito e acreditamos ser o motivo das tosses, corizas, febres e antibióticos sem fim. Peça a Deus que guarde nossa saúde e dos nossos filhos, pois precisamos trabalhar!
 
Saudades de tod@s!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O melhor do Brasil

Uma das perguntas que mais escutamos quando chegamos no Brasil é: do que você sente mais falta? Pão de queijo? Shopping?
Olha pão de queijo é bom, shopping também, mas existem coisas muuuuuuuuito mais deliciosas nesse Brasilzão de meu Deus.
Sair com a vovó, abrir o coração com @s amig@s, conviver com meus pais e familiares, ver o Davi e a Jujú casando, cheirar o cangote da Gigi, receber o abraço e o carinho dos irmãos da CCZS e encontrar todas as pessoas especiais que cruzaram nosso caminho nesses dias. Isso definitivamente é o melhor do Brasil.
Obrigada a tod@s aqueles que fizeram nossas férias tão maravilhosas.